Soneto de Alucinação
Teu espectro calmo avança, enquanto os meus olhos recuam, querendo evitar a colisão nua com a miragem da distância
Teus braços morfam-se vento E meu corpo se dopa de saudade Encarna da pueril jovialidade
Desfalacido, o tempo soa-me cavalar
Até que possa me banhar da essência glicósica em nosso encontro se vão
Escrito por Fabi às 16h41
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Tenho tanto sentimento
Fernando Pessoa 18-9-1933
Tenho tanto sentimento Que é freqüente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada. Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar.

Escrito por Fabi às 21h54
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Menina Sentada" (1943)
Portinari: Alegorias do Brasil
Hoje esteve tão perto de mim... mas não conseguir amenizar nem um pouquinho da minha saudade... parecíamos tão distantes...
Não tive um abraço; Não toquei teu rosto E nem mesmo houve uma colisão com o meu.
As palavras que me são vindas Foram caladas, restou-me...
Um aperto na fala como boas-vindas O último olhar sempre me soa Como a cumplicidade lunar que me reserva o céu Ornado por estrelas... Quase tão belas quanto o último olhar teu Mas hoje, por mais fascinante que ainda estivesse Foi tomado por um cometa que anunciava, o eclipse A fim de não ofuscar olhos alheios, com a luz da tua Lua.
Por Leonardo
Escrito por Fabi às 18h19
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Rua Conselheiro Crispiniano, no Centro (1957)
CONSTATAÇÃO SENIL NUMA DESTAS MANHÃS OUTONAIS. (28/04/2004)
por Fabiano
a noite encoraja revelar o q as cortinas finalmente desnudam no amanhecer o dia esconde o q anoite aguarda pra mostrar
meu antigo livro de poemas não me diz mais nada, a nao ser as questões de sempre metáforas,enigmas, dos quais nunca entendi
e passei anos dizendo o q achava das coisas, o q perdia nas lucidez dos pensamentos ou o que encontrava na imensidão da embriagues desesperada...
Meu exaspero foi tanto que as palavras hoje, já nao fazem sentido nenhum Por causa disso, cheguei na certeza mais certa de todas:
A Dúvida.
Escrito por Fabi às 18h11
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(1646), de Rembrandt
"Olhos Verdes"
Gonçalves Dias
Eles verdes são: E têm por usança Na cor esperança E nas obras não. Camões, Rimas. São uns olhos verdes, verdes, Uns olhos de verde-mar, Quando o tempo vai bonança; Uns olhos cor de esperança Uns olhos por que morri; Que, ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! Como duas esmeraldas, Iguais na forma e na cor, Têm luz mais branda e mais forte. Diz uma - vida, outra - morte; Uma - loucura, outra - amor. Mas, ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! São verdes da cor do prado, Exprimem qualquer paixão, Tão facilmente se inflamam, Tão meigamente derramam Fogo e luz do coração; Mas, ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! São uns olhos verdes, verdes, Que pode também brilhar; Não são de um verde embaçado, Mas verdes da cor do padro, Mas verdes da cor do mar. Mas, ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! Como se lê num espelho Pude ler nos olhos seus! Os olhos mostram a alma, Que as ondas postas em calma Também refletem os céus; Mas, ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! Dizei vós, ó meus amigos Se vos perguntam por mi, Que eu vivo só da lembrança De uns olhos da cor da esperança, De uns olhos verdes que vi! Que, ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! Dizei vós: Triste do bardo! Deixou-se de amor finar! Viu uns olhos verdes, verdes, Uns olhos da cor do mar; Eram verdes sem esp’rança, Davam amor sem amar! Dizei-o vós, meus amigos, Que, ai de mi! Não pertenço mais à vida Depois que os vi!
Escrito por Fabi às 21h08
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"Jean as a Mountain" (1973), de Luiz Paulo Baravelli Beatriz
De: Chico Buarque e Edu Lobo
Olha Será que ela é moça
Será que ela é triste Será que é o contrário
Será que é pintura O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha Será que é de louça
Será que é de éter Será que é loucura
Será que é cenário A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha Será que ela é uma estrela
Será que é mentira Será que é comédia
Será que é divina A vida da atriz
Se ela um dia Despencar do céu E se os pagantes exigirem biz
E se um arcanjo passar o chapéu E se eu pudesse entrar na sua vida
Escrito por Fabi às 20h01
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Cronópio (Júlio Cortázar)
Um caleidoscópio, um brinquedo, onde, um cronópio sem medo, viu as cores da canção e dançou pela calçada, por entre os carros da rua, com um caleidoscópio na mão. Então, uma moça nua, segurando um coração, em compassos de balada, fez dançar a multidão. Gente, que há muito não via, em pleno engarrafamento, as cores de tanta alegria, de tal canção, partitura. E, para tais criaturas, alegria é sacramento, da mais Sagrada Escritura. Cronópios voam em trapézio, pisam em estrelas e lama. E, como gente tão séria, querem poesia, não fama e fazem do riso, drama.
Escrito por Fabi às 19h27
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WITH OR WITHOUT YOU- COM OU SEM VOCÊ (U2)
Veja o cisco preso em seus olhos, veja a pedra em seu sapato. Eu espero você.. Truque de mão e reviravolta do destino, numa cama de pregos ela me fez esperar. E eu espero você, Com ou sem você Com ou sem você, Em meio a tempestade nós alcançamos a praia..você entrega tudo, mas eu quero mais E eu estou esperando por você.. Com ou sem você Com ou sem você, Eu não posso viver, Com ou sem você E você entrega a si mesma, E você entrega a si mesma, E você entrega, Minhas mãos estão amarradas, Meu corpo machucado, ela me mantém com nada para ganhar e nada para perder. E você entrega si mesma, E você entrega a si mesma, Com ou sem você Com ou sem você.. Eu não posso viver..
Escrito por Fabi às 19h22
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SOLIDÃO...
" Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão. Um estado interior que não depende da distância...nem do isolamento; um vazio que invade as pessoas... E que a simples companhia ou presença humana não pode preencher. Solidão foi a única coisa que eu não senti, depois que parti...nunca...em momento algum. Estava, sim, atacado de uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e de pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade...mas não estará só!"
Escrito por Fabi às 19h10
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canção da plenitude
Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou. Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.) O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos. A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada. Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força - que vem do aprendizado. Isso te posso dar: um mar antigo e confiável cujas marés - mesmo se fogem - retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços, mas o sonho interminável das sereias.
Escrito por Fabi às 19h04
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LEMBRANÇA DE MORRER (ALVARES DE AZEVEDO)
Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nemhuma lágrima.. Em pálpebra demente. E nem desfilem na matéria impura A flor do vale que adormece ao vento: Não quero que uma nota de alegria Se cale por meu triste pensamento. Eu deixo a vida como deixa o tédio Do deserto, o poento caminheiro -Como ás horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobre de um sineiro; Só levo uma saudade- é dessas sombras Que eu sentia velar nas noites minhas... De ti, ó minha mãe! pobre coitada Que por minha tristeza te definhas! Se muma lágrima as pálpebras me inunda Se um suspiro nos seios treme ainda É pela virgem que sonhei...que numca Aos lábios me encostou a face linda! Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, Á sobra de uma cruz, e escrevam nela: -Foi poeta - Sonhou - e amou na vida.
Escrito por Fabi às 18h58
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"Eros e Psique"-- (FERNANDO PESSOA)
Conta a lenda que dormia Uma Princesa encantada. A quem só despertaria Um Infante, que viria De além do muro da estrada Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado Por o que à Princesa vem. A Princesa adormecida, Se espera, dormindo espera, Sonha em morte a sua vida, E orna-lhe a fronte esquecida, Verde, uma grinalda de hera. Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado, Ele dela é ignorado, Ela para ele é ninguém. Mas cada um cumpre o Destino - Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada. E, se bem que seja obscuro Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro, E vencendo estrada e muro, Chega onde em sono ela mora, E, inda tonto do que houvera, À cabeça, em maresia, Ergue a mão, e encontra hera, E vê que ele mesmo era A Princesa que dormia.
Escrito por Fabi às 18h39
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Soneto do Amor Total (Vinicius de Morais) 
Amo-te tanto, meu amor... Não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante. Numa sempre diversa realidade. Amo-te afim, de um calmo amor prestante e te amo além, presente na saudade. Amo-te enfim, com grande liberdade. Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho simplesmente. De um amor sem mistério e sem virtude. Com o desejo maciço e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde. É que um dia em teu corpo de repente Ei de morrer de amar mais do que pude.
Escrito por Fabi às 18h34
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NÓS (J.P.Araujo Jorge) 
Afinal o que eu sinto é o sofrimento atroz de muito tarde descobrir que numca falaremos em nós... Eu, serei eu; Tu, serás tu, e eternamente assim nem numca me terás como queres que eu seja nem serás como eu quero que sejas para mim... Muito tarde... Muito tarde... Depois que assim te quero, e preciso de ti como os pulmões de ar ou os olhos de luz, é que vou descobrir que se ficarmos juntos, eu poderei te odiar, tu poderás me odiar, Quem diria afinal, ao que amor se reduz? E o que é estranho afinal, é que nos amamos, e sentimos no entanto que nos separamos cada um com a sua sombra dolorosa a sós.... -Conformados, na dor cruel, nos convencemos, de que nunca na vida, eu e tu... Seremos nós...
Escrito por Fabi às 18h32
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Apesar de ser humano 
querem me acorrentar! ah! estes senhores! estão muito aquém da vida. separados de mim por muros muito altos, não percebem o meu mundo livre. nele não há pecado nem castigo, não há arrependimento nem perdão, não há senão um sem-número de liberdades, de beijos apaixonados, de desejos saciados, de corações extasiados.
não venham me aprisionar, não tentem me levar para o outro lado. não queiram alastrar o seu muro, apropriar-se de mim, doutrinar-me! não queiram “me fazer o bem”. o meu bem não é o seu bem, nem o meu mal, o seu mal.
sou humano! mas, no meu mundo apaixono-me, desejo, amo até! sou humano! mas no meu mundo falo a verdade, desnudo-me até!
não preciso de suas táticas hipócritas, das suas regras escravizantes, dos seus conselhos velados.
meu mundo me basta! procurem outra pessoa.
Escrito por Fabi às 18h27
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